terça-feira, 4 de dezembro de 2018
O bambolê de Saturno
No olhar da Nina, a metáfora dos anéis se transforma do mais óbvio para mim ao mais óbvio para ela: é um bambolê, ué?! E não é que é?!
Do símbolo do compromisso ao lúdico. Do girar repetitivo ao rebolado dançante, num brincar de roda em volta do sol. Do olhar frio da ciência à imaginação poética da criança, cujo um dos poderes é o de te virar ponta-cabeça, te fazendo plantar bananeira, deixando cair ideias e molduras.
Quando conseguimos pegar carona na experiência infantil, podemos desaprender e reaprender a ver e estar no mundo.
Con-viver com uma criança é alternar entre o sol e a lua. É ver de ângulos diversos, estar em posições diferentes, vestir sentimentos ambíguos, é ser o centro e se deixar girar.
Con-viver com uma criança é ter a grande oportunidade de se reencontrar com o lúdico, com a poesia e com nossa humanidade. Mas não é algo dado de mão beijada, precisamos querer acompanhá-la e estar abertos a aprender com ela.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
Cotidiano
Desde junho, quando Nina chega da escola, posso recebê-la na porta da nossa casa. Fazemos aquela festa, pego ela no colo, sentamos no sofá, pra eu abracá-la direito e conversarmos. Pergunto sempre como foi na escola, o que ela aprendeu, etc.. Ela sempre diz que fez "muitax coisax".
Hoje ela me contou melhor do seu dia, da aula do Dudu (o professor de música), do amigo que morde, dos amigos que não mordem, dos amigos que foram e dos que faltaram: a Cris (uma das professoras) não foi porque está com dodói na mão. E no final de tudo, ela me perguntou: como foi na sua escola? Quase morri de amores!! (Ela sabe que estou na "escola", que estudo no meu trabalho e que trabalho em uma escola para adultos)
Espero, de todo meu coração azul, que a gente consiga dialogar pro resto das nossas vidas. 💙
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Abuelita
Em julho recebemos em casa a avó peruana, a vovó Nelly. Nina ainda não a conhecia, porque na última vez em que ela veio, Nina tinha só dois meses. Foi lindo de ver. Nina ficou num amor só com a vovó. Brincaram à beça, cada uma falando sua língua. De algum jeito, se entendiam.
Quando fomos levá-la no aeroporto, pra nos despedir, Nina fez mais um tanto de carinho nela e consegui pegar um pouquinho desse amor com essa foto.
Lá, Nina disse que também queria ir pro Peru, com vovó, titia e papai. Eu iria pra casa; não poderia ir porque não sou peruana. Daí respondi que eu podia ir mesmo não sendo peruana e que inclusive já tinha ido algumas vezes, que adorava passear no Peru e que ia amar levá-la pra conhecer a terra do papai. No que ela me corrigiu: MINHA terra e do papai... E não adiantou de nada, porque terei que ficar chupando os dedos no Brasil. Nina não me autorizou viajar com eles! 😥 Mas ao menos disse que voltava, pra me consolar. 😂
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
América-latina e as baleias
Esse ano comecei a fazer mestrado e hoje comecei meu segundo semestre. Durante a aula, vagando a partir das discussões teóricas da disciplina "Sociedade, Direitos Humanos e Arte", pensei duas vezes na educação da Nina. Uma vez vez quando a professora falou das "ecofeministas" e falou desse sentimento humano de prepotência em relação aos outros seres. Pensei, não vai ter jeito, terei que virar vegetariana. Me deu até vontade de chorar. Não sei se pelos bichos ou porque acho muito difícil ser vegetariana. A outra vez foi quando falaram sobre a América Latina. Pensei, vou passar a dizer pra Nina que ela é latino-americana, ao invés de dizer que ela é brasileira e peruana.
Em casa, introduzi o assunto da América Latina e o Nollan me ajudou. Primeiro ela achou que fosse algo relativo a cachorros, quando a chamei de "latino-americana". Fez todo sentido. Depois explicamos melhor, mostrando o mapa pra ela. Mostramos: aqui é o Brasil, aqui é o Peru, aqui é a América Latina; você é brasileira, é peruana e é latino-americana. No que ela rapidamente respondeu: não, eu sou ser humana. Não sei se ela pensou de novo que fosse algo relativo a cachorro, ou se ela se confundiu porque as duas palavras rimam... fato é que ela tem toda razão. Aí confirmei e disse que a América Latina ficava na Terra e que ela era terráquea, assim como os cachorros, as baleias, etc. E, pronto, acho que não vai ter jeito, mais cedo ou mais tarde, esse papo vai acabar levando a gente pro "ecofeminismo" e pro vegetarianismo...
Nina fez 3 anos no dia 13 de agosto e o tema da sua festa foi "baleia" e a cor principal foi azul. Ela tem uma fixação por essa cor desde antes de saber andar e falar e já tem mais de um ano que ela também é apaixonada por baleias. Algo me diz que Nina pode vir a se tornar uma ecofeminista especialista em oceanos. Um sonho bonito, né?! 😍
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