terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O bambolê de Saturno



No olhar da Nina, a metáfora dos anéis se transforma do mais óbvio para mim ao mais óbvio para ela: é um bambolê, ué?! E não é que é?!

Do símbolo do compromisso ao lúdico. Do girar repetitivo ao rebolado dançante, num brincar de roda em volta do sol. Do olhar frio da ciência à imaginação poética da criança, cujo um dos poderes é o de te virar ponta-cabeça, te fazendo plantar bananeira, deixando cair ideias e molduras.

Quando conseguimos pegar carona na experiência infantil, podemos desaprender e reaprender a ver e estar no mundo.

Con-viver com uma criança é alternar entre o sol e a lua. É ver de ângulos diversos, estar em posições diferentes, vestir sentimentos ambíguos, é ser o centro e se deixar girar.


Con-viver com uma criança é ter a grande oportunidade de se reencontrar com o lúdico, com a poesia e com nossa humanidade. Mas não é algo dado de mão beijada, precisamos querer acompanhá-la e estar abertos a aprender com ela.   

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