sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Nina me faz ter mais esperança na humanidade...



Nina está prestes a completar 4 anos e já tem tanta inteligência e tanta humanidade, que me faz pensar, por um lado, que o ser humano piora com o tempo, devido ao acúmulo de experiências desumanizantes, e, por outro, que talvez o ser humano precise de muito pouco para se tornar humano.

Essa semana, Nina entrou na escola comendo biscoito, o que é proibido. Rapidamente, sem que ninguém falasse nada (nem percebemos), ela voltou para a porta, terminou de comer o biscoito e voltou para escola, toda serelepe.

Nina ajeita os tapetes tortos (TOC?), sabe lavar sua própria calcinha, não aceita um não sem antes entender o motivo e argumentar, diz pra mim quase todo dia que me ama muito (que me ama 40 de mil de milhões), diz que eu tô bonita, que achou lindo o meu vestido, diz que ama todas as pessoas de todos os países e todos os animais (me pediu uma cobra de aniversário😲), diz "mamãe, acende a luz do meu quarto, por favor?", pergunta "cenoura é bom para os meus soldadinhos?", fala para eu desligar o chuveiro para não acabar com a água dos rios, faz deduções incríveis e também percebe exceções nas generalizações:

Eu estava cantando aquela música "todo homem precisa de uma mãe"🎵 e ela disse: quase todo homem; o vampiro não. 😂

Ela é criativa, inventa músicas, palavras, línguas, países e habitantes desses países, incluindo primas más e boas e bichos, como a terrível borboleta-dinossauro: urraurrrr!!! Na verdade, ela inventou uma realidade paralela em que tudo é ao contrário, onde, por exemplo, as crianças podem casar e os adultos não.

Ela vai fazer 4 anos e não sei se está adiantada ou não para uma criança de sua idade. Isso não é importante, é?! Que importância tem se talvez tenha demorado um pouco mais para desfraldar, um pouco menos para falar, um pouco mais para andar, um pouco menos para desenhar, um pouco mais para pular (e por aí vai)? O que me importa é sua humanidade, que já é tão grande pra tão pequena pessoa.

Nina vai fazer 4 anos e sou tão orgulhosa de quem ela é... Ela me ensina tanto, me obriga a querer e a tentar ser uma pessoa melhor. Ela me obriga a enxergar a vida com outros olhos e me faz ver como o ser humano pode ser maravilhoso. E eu agradeço a ela sempre que me lembro. Olhando pros seus olhos, digo "filha, obrigada por ser minha filha, por existir na minha vida, tá?!". E ela sorri e diz "tá", aceitando meu sentimento de gratidão.  💓
   

terça-feira, 25 de junho de 2019

Educar: medos e contradições



Nina tem dito que está com medo de jantar na escola. Depois de perguntar várias vezes o motivo e ela não responder, por fim, disse que tinha medo de se sujar. Não sei se é isso, mas... e se for? Ela leva bastante a sério os "cuidados" que falo pra ela. Tiro o pijama pra não sujar no café da manhã e às vezes dou comida pra ela na boca pra evitar sujar e ela tem pedido pra eu dar a comida na boca dela, o que eu pensava que fosse preguiça, mas será que é mais medo de sujar a roupa? Pensando nessa possibilidade, de ela estar com esse cuidado todo a ponto de não querer jantar na escola, pensei em mim, no meu tempo com ela em casa, nas nossas brincadeiras... tento verbalmente dizer para ela que errar é normal, que tudo bem, que não tem problema derrubar, sujar, mas devo estar falando o contrário de outras formas. E ela leva tudo muito a sério. Ela presta muito atenção e guarda tudo. Ela tem muito medo de errar, de fazer feio, etc. Ela já introjetou (talvez desde a genética?) o meu perfeccionismo? Eu tenho muito medo de passar meus medos pra ela (ai, que frase!). Ela me motiva querer me curar, me transformar... Não quero cagar com a vida dela... Eita... Uma capricorniana com ascendente em virgem (chata pra kct) querendo educar para a liberdade é muito difícil, contraditório demais da conta... Vixe, que difícil que é educar!

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Desfralde II: encerrando mais um ciclo


Chá de bebê da Nina: o começo

Já foram 10 noites sem fralda e ela molhou a cama apenas duas vezes. Nestas, foi porque nos esquecemos de levá-la ao banheiro de novo depois da mamadeira. Em duas noites, aproveitei que estava indo pra nossa cama de madrugada e a levei ao banheiro. Em uma destas, perdi o sono e cá estou eu, escrevendo. Já passou das 5h e queremos levar Nina hoje cedo para experimentar uma aula de natação. Se eu voltasse a dormir, poderia perder a hora. (Estou gostando de estar acordada essa hora; o clima está agradável e estou curtindo ouvir os pássaros)

Depois que Nina desfraldou, no dia seguinte mesmo, ela não quis ser levada pra escola de carrinho, quis ir andando e fomos caminhando, sem ela pedir colo ou reclamar de cansaço. Eu ainda a levo de carrinho de vez em quando, pela pressa, mas por ela, vamos caminhando. Ela está se sentindo grande. No mesmo pacote, ela colocou também o gosto pelo banho frio. Junto com a novidade do desfralde, ela conta que agora "só gosta de frio" e tem me ensinado a tomar banho frio, na marra, mas com muita paciência e didática. (Mas não é verdade que só gosta de banho frio...)

Bom, Nina já deixou a chupeta, a fralda, quer deixar o carrinho... Agora só falta a mamadeira! E esses desapegos, que ela tem feito para crescer,  também são nossos, dos pais, que não queremos que nossa bebê deixe de ser bebê ou que tememos o novo e o desconhecido. Assim, o desfralde não foi só da Nina, nós também desfraldamos e, quando passo em frente à farmácia, já me bate uma certa nostalgia!  

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ainda sobre desenhos


Não sabíamos se íamos deixar Nina assistir desenho, quanto de desenho ela ia poder assistir, a partir de qual idade. Julgava quem fazia do desenho uma babá eletrônica (e ainda sou crítica com o excesso e a falta de controle). Como sempre, hoje pago língua. Fico sozinha com Nina na parte da manhã e comecei deixando ela ver desenho, para que eu pudesse fazer o almoço em paz. Ela não gosta de ficar sozinha, de brincar sozinha, e sempre fica querendo ficar comigo na cozinha, que é micro. Além de achar perigoso, não consigo dar atenção a ela e ao mesmo tempo cozinhar. Não, não sou "super mulher", "multitarefas". E não acho que ela precise participar desse momento, que ela precise aprender a cozinhar agora, né?! Ela só tem 3 anos. Além disso, talvez o único prazer que tenho em cozinhar é por ter um momento de paz e introspecção.

Bem, foi assim que comecei a colocar desenho pra ela. Não gosto de deixá-la sozinha vendo youtube, por causa dos comercias, das pausas, do risco de aparecerem vídeos impróprios, etc., então, deixo ela escolher o desenho no "Netfix" e muitas vezes escolho por ela, mas de modo que ela pense que escolheu (uma manipulaçãozinha de leve...). É só deixar o desenho que eu prefiro à vista dela e ela escolhe ele. Esta técnica não é infalível, mas funciona bem. Hoje em dia, não tenho cozinhado mais, e deixo ela assistir "Netfix" enquanto penteio seu cabelo (fica mais fácil pentear e mais fácil controlar o tempo do desenho). Quando acabo de penteá-la, deixo ela assistir mais um tempinho, mas aí começa a negociação. E é ótimo vê-la aprendendo a negociar. Ela é boa nisso e eu valorizo essa habilidade, que vai ser muito importante pra ela, ao longo de toda sua vida. Hoje ela se superou, mas foi na cara de pau. Quando terminou o desenho, disse que ia desligar, porque havíamos combinado que seria o último, mas ela logo respondeu "você disse que seria o último, não a última. Quero ver agora a última!" Posso com isso? Dessa vez sua tática não deu certo e o combinado prevaleceu.

Mas com desenho, eu sou fácil de ceder... Sou um perigo (rsrs), porque cresci vendo desenho, sempre amei ver desenho e fico doida pra assistir com ela vários filmes de animação (principalmente no cinema), mas tenho que me segurar (e é muito difícil), porque não tem quase nada que considero adequado pra idade dela.

E, assim, na tentativa e erro, vamos aprendendo a lidar com esse fato: a Nina assiste e vai assistir desenhos. O momento certo, a quantidade certa, o desenho certo, a gente vai descobrindo em cada contexto... 

Masha e a Nina



No último sábado (13/04), teve uma confraternização com a escola e todo ano, nesse evento, fazem uma feirinha de trocas. Adultos e crianças levam algo em bom estado para deixar na feira e podemos pegar o que nos interessar, mesmo se não tivermos nada para trocar. A Nina sempre leva roupa e brinquedo, mas na hora de escolher o brinquedo para desapegar, foi um pouco difícil; a maioria ela dizia que estava usando e acabou levando um que eu era apegada (fazer o quê?). E o fofo é que quando ela tava com dificuldade de desapegar, se lembrou e se justificou com um episódio da Masha. Nesse episódio, a Masha está tentando se desapegar dos brinquedos antigos, para ganhar novos no Natal, e acaba no final desistindo de ganhar mais brinquedos, por não querer se desfazer dos seus brinquedos queridos. Os desenhos falam muito com as crianças, né?! Muito mais do que posso imaginar! Tenho que tomar mais cuidado na escolha do que ela vai ver e tentar fazer parte dessa conversa sempre que possível.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Desfralde no tempo dela


O dia em que dormiu sem fralda e acordou seca!

Não tivemos muita pressa em desfraldar a Nina. Queríamos que fosse no tempo dela. Esperamos que ela quisesse parar de usar a fralda, quisesse usar a privada... Compramos tudo pra ajudar no processo: penico, adaptador, banquinho, livrinhos.... Mas ela não se incomodava de ficar com fralda. Então, quando ela já tinha 3 anos e eu já tinha percebido que ela já entendia bem e que era capaz de segurar o xixi, passei a deixar ela sem fralda de dia, mantendo a da noite. Ao longo do dia, levava ela no banheiro, mesmo sem ela pedir. Deu certo, ela fez xixi no chão poucas vezes e a maioria delas era quando tava chateada comigo. Com o cocô também foi tudo bem... A historinha do "cocô amigo" ajudou à beça (e essa tem na internet e é de graça)!

Hoje, com 3 anos e 7 meses, Nina consegue ir sozinha no banheiro e usar a privada (mas geralmente a gente ajuda). Nunca usou o penico e não usa o adaptador de assento, nem o banquinho para subir na privada. Ela sobe sozinha e fica se segurando, como me lembro de fazer quando era criança (me lembro que eu tinha um penico, mas não me lembro de adaptador, banquinho, etc.). 

Mas o desfralde da noite parece que começou anteontem! Ela acorda sempre com a fralda seca, mas todas as vezes que eu deixei ela dormir sem fralda, ela fez xixi e molhou tudo. Como ela não pedia e eu não queria, com medo de eu ter que acordar de madrugada para trocar lençol, fronha, etc., e principalmente com medo de eu não acordar e ela passar a noite molhada de xixi, fomos deixando assim. Mas anteontem acabou a fralda e ela dormiu sem. Acordou seca e ficamos muito felizes (acordei algumas vezes para checar)! E ontem ela não quis que a gente comprasse mais fralda e pediu para dormir sem fralda!! Nessa noite, quando ela foi pra nossa cama, aproveitei para levá-la ao banheiro! E ela acordou seca de novo!! Acho que agora vai! Sem traumas, no tempo dela, como a gente queria!!