Eu queria ter parto normal, mas
sentia que podia acabar fazendo uma cesárea. Nas consultas com meu obstetra,
principalmente quando estava sozinha, sentia que a cesárea era a sua preferência.
E esse sentimento aumentou muito quando vi a taxa de cesáreas dele em um
plano de saúde: 100%. Durante um tempo, cogitei escolher outro médico, mas como
não queria viver essa tensão, preferi deixar quieto e não criar tantas
expectativas para um parto normal. Outro desejo meu era amamentar. O meu marido
queria até que eu fizesse um curso para amamentação e eu não quis, pois pensava
que não teria problema com isso e preferia procurar ajuda depois, caso fosse
necessário. Li bastante sobre partos e amamentação.
Estava bem informada e preparei uma lista de perguntas para minha última
consulta do pré-natal, para que eu pudesse garantir um parto humanizado e que
eu conseguisse amamentar.
Em relação aos exames de rotina, o meu pré-natal foi tranquilo. Não engordei muito, minha pressão estava ótima,
meu nível de glicose também. As únicas coisas que me deixaram um pouco
preocupada foram uma íngua que apareceu na axila e um carocinho que surgiu na
mama, ambos do lado esquerdo. Porém, na consulta, o médico me tranquilizou,
dizendo que a íngua era tecido mamário e que o carocinho era algo comum em
mulheres grávidas. Mas para desencargo de consciência, ele achou melhor pedir
uma ultra mamária e isso aconteceu lá para o sétimo mês de gestação.
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| Chá da Nina |
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| Quando senti o "carocinho" |
Enrolei para fazer o exame e deixei para fazer um pouco antes da última consulta do pré-natal. Era uma quarta-feira e essa ultra acabou bagunçando todos os meus planos: eu teria que continuar investigando o nódulo, pois havia alguma chance de ser cancerígeno. Na sexta-feira, na consulta do pré-natal que serviria para eu tirar dúvidas sobre o parto, o médico solicitou uma biópsia (que consegui marcar para o sábado) e me encaminhou a um oncologista, para que me ajudasse a decidir se seguiria ou não sua orientação: a de fazer a cesárea no dia seguinte da biópsia, no domingo, interrompendo imediatamente a lactação. Essa sexta foi especialmente longa e tensa. Com a ajuda do meu marido, meus pais, familiares e amigos, conversei com diferentes mastologistas e decidi que não seguiria a orientação do meu obstetra. Decidimos que esperaríamos o resultado da biópsia, para fazer ou não a cesárea, e, independente do resultado, não iria interromper a lactação. E, assim, para acelerar esse processo, levamos o material colhido na biópsia para um patologista particular (pelo plano poderia levar uns 15 dias).
Uma semana após a ultra, em uma
quarta-feira, fiquei sabendo o resultado da biópsia. O mastologista que me
contou e explicou o resultado do exame, a partir deste dia, passou a me acompanhar
no tratamento contra um tumor maligno na mama esquerda. Neste dia marcamos com meu obstetra
a cesárea para o dia seguinte.
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| Um pouco antes de ir para a maternidade |
| Dia 13 de agosto de 2015 |
E em um 13 de agosto, com 39
semanas completas, nasce a Nina, e, apesar do “pequeno imprevisto”, o dia foi
animado e muito especial. Nada poderia atrapalhar esse momento e vivi o parto e
o puerpério da melhor forma que pude. Felizmente consegui amamentar a Nina
durante os primeiros 15 dias, enquanto não começava a quimioterapia. Foram dias
intensos, com dor na cabeça e coluna, por conta da anestesia do parto, e dificuldades
típicas dessa fase somadas às dificuldades do começo de um tratamento de um
câncer. Mas com o apoio do meu marido, da minha família, de amigos e,
principalmente, com a Nina, meus dias se tornaram mais fáceis. Nada aconteceu
conforme o planejado. Nada mesmo. Foram muitas frustações e angústias; foram
dias e meses de caos físico, mental e emocional. Mas eu dei o meu máximo à Nina,
dei o meu amor a ela e esse amor e a nossa relação fizeram do câncer um
problema menos importante e mais fácil de ser superado.
A Nina hoje tem 1 ano e 3 meses.
Durante esse tempo, fiz 16 sessões de quimioterapia, uma mastectomia bilateral
(com reconstrução imediata), 25 sessões de radioterapia, tratamento hormonal e
incontáveis sessões de Ninaterapia. Minha vida ainda não entrou totalmente nos
eixos e continuo em tratamento, mas estou bem e sou extremamente grata a
todos que me apoiaram e que me acompanharam nesse período, especialmente à Nina. 😍😍







