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| A Super Cholita |
Ficamos muito preocupados com o futuro dos nossos filhos. E fazemos altos planos para eles, pensando com frequência em suas possíveis profissões. Talvez não tracemos metas tão tradicionais e queremos que eles ao menos fujam da mediocridade que a nossa vida se tornou. Queremos que eles sejam um dia a melhor pessoa que eles possam ser. Queremos que eles se desenvolvam integralmente enquanto seres humanos; que eles sejam futuramente uma pessoa repleta de habilidades (as quais não possuímos) (matemática, literária, corporal, musical, artística, criativa, social, emocional...) e que eles consigam se tornar autônomos financeiramente. Temos as melhores das intenções e projetamos neles, com todo nosso amor e cuidado, nossas infinitas expectativas, e acabamos, de tanto olhar para os nossos futuros filhos, esquecendo dos nossos filhos do presente. Com o objetivo de garantir um lugar ao sol para eles no futuro, nos dedicamos todos os dias, mais e mais.
Com essa preocupação, nos esforçamos para ganhar mais dinheiro, afinal, os nossos gastos aumentam muito. Precisamos pagar uma boa escola, precisamos colocá-los em cursos, precisamos dar os melhores brinquedos, precisamos dar as melhores roupas, os melhores objetos, as melhores festas... Precisamos dar o melhor, para que eles se tornem os melhores. Sem nos darmos conta, com as melhores das intenções, entramos em uma lógica competitiva, vaidosa e consumista.
Ficamos, com frequência, comparando os nossos filhos (desde bebês), nos comparando enquanto mães, julgando e criticando os outros pais, muitas vezes para nos autoafirmar (porque, com tanta pressão, como não ficarmos inseguras?). A falha dos nossos filhos representa muitas vezes a nossa falha enquanto pais, e o seu sucesso, o nosso sucesso. Queremos o sucesso, queremos ser pais competentes, então, com esse objetivo em mente, nos empenhamos desde sempre. Formar "super-humanos" pode fazer de nós "super-pais" e, para isso, tentamos "estimular" os nossos filhos. Acreditando que brinquedos estimulam, compramos muitos deles, desde muito cedo.
Na nossa saga frenética por fazer do nosso filho a melhor pessoa, freneticamente trabalhamos, freneticamente estimulamos (através dos brinquedos e eletrônicos), freneticamente compramos (o melhor enxoval, o melhor quarto, o melhor móbile, o melhor pote, termômetro, sugador de meleca, pomada de assadura, fralda, etc, etc.). Mas, com isso, o que não conseguimos fazer é enxergar os nossos filhos como são e curtir a vida com eles.
Afinal, quem são os nossos filhos e como podemos aproveitar a vida com eles hoje?
Os nossos filhos querem viver a vida, querem curtir, brincar, e querem a nossa presença, a nossa atenção; querem compartilhar essa vida com a gente. Os nossos filhos não precisam de muitos objetos, brinquedos e cursos para se desenvolveram; eles precisam ser felizes hoje, ao nosso lado. E precisam ser respeitados enquanto sujeitos (não são nossa posse, nosso troféu, nosso projeto) e que a gente tente vê-los como são.
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| Quer melhor brinquedo do que este super secador de saladas? |
A Nina vai cumprir 1 ano e 3 meses no dia 13 e ela tem me ensinado muitas coisas nesse pouco e intenso tempo de vida. Essa reflexão surgiu por causa dela e de nossas brincadeiras. Por estar de licença do trabalho, por conta de um câncer de mama, estou tendo a feliz e rara oportunidade de ficar muito com ela. Quando eu voltar a trabalhar, isso vai mudar, mas esse tempo desacelerado juntas me ensinou algo muito valioso que tentarei levar sempre comigo, em sua criação. Eu e seu pai somos responsáveis por ela e participaremos ativamente de sua educação, porém, ela já está aí e é e será (com o nosso apoio) a autora principal de sua vida.


O pai da Nina adorou este post e a ideia do blog. O pai da Nina acha que há muito de narciso nessa nossa tendência de super estimular, de competir, de sentir como nossas as falhas dos nossos filhos. O pai da Nina te manda um apapucho.
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